A história religiosa dos EUA e do Brasil

A diferença essencial entre a história religiosa dos EUA e do Brasil foi que lá o princípio da liberdade de de consciência, que o protestantismo europeu reprimia a esmagava, foi respeitado desde o início, permitindo que, num caso de divergência insanável, a parte dissidente simplesmente fundasse uma nova comunidade noutra parte do território, preservando a paz, fomentando a diversidade e fazendo da convivência democrática uma realidade de todos os dias. Esse sistema favorecia ainda a contínua renovação moral do clero pela exposição a novos desafios. No Brasil, ao contrário, os padres, cuja vitalidade espiritual dependia inteiramente da sua fidelidade a Roma, foram separados dessa fonte pela interferência autoritária do governo, caindo pouco na anarquia doutrinal e na decadência moral. Explicar o destino das duas nações pelas virtudes do protestantismo em contraste com os males do catolicismo é demagogia porca.

Uma diferença essencial entre os EUA e o Brasil

Uma diferença essencial entre os EUA e o Brasil – e sem dúvida a raiz intelectual do contraste entre os destinos das duas nações ¬– aparece já na mentalidade dos seus pais fundadores, os homens que lideraram os processos paralelos e simultâneos das duas independências nacionais.
Enquanto no Brasil as classes superiores tomavam por modelo a cultura européia do momento, ansiando por ombrear-se com ela, os americanos a desprezavam, acreditando-se capazes de fazer melhor na América com base em valores antigos que os europeus tinham traído e esquecido. A Europa dos brasileiros era Voltaire e Rousseau, Chateaubriand e Scott. A dos americanos, a Bíblia, Cícero e Demóstenes, Platão e Aristóteles.
O resultado não poderia ser senão, da parte dos brasileiros, um permanente sentimento de inferioridade entrecortado de explosões de ufanismo consolador, e, da parte dos americanos, o início de uma nova tradição cultural e política que não demoraria a ser invejada e copiada pelos europeus.

O branco cristão, europeu ou americano…

O branco cristão, europeu ou americano, foi o último povo a entrar no comércio de escravos, o primeiro a sair dele e o ÚNICO que lutou para extingui-lo. Em comparação com asiáticos, africanos e árabes, foi o menos escravagista dos povos e o único decididamente anti-escravagista. Lançar sobre ele, justamente sobre ele, as culpas da escravidão universal, dando a seus concorrentes mais vorazes e cruéis a aparência de escravos e de vítimas, é uma falsificação tão monstruosa e uma injustiça tão imensurável, que nenhum pretexto racional pode justificá-la: ela nasce do mais puro e ostensivo ódio racial, que hoje faz do seu alvo o único povo, ao longo da toda a história humana, cuja extinção pode ser pregada abertamente nas cátedras e nos púlpitos sem desdouro para o pregador, nem muito menos risco de punição judicial.

Todo código penal é uma gradação das penas conforme a gravidade dos delitos. Toda consciência moral é discernimento escalar dos vícios e das virtudes. Os que se recusam a graduar o sentimento de horror conforme a quantidade e a natureza dos crimes são eles próprios almas criminosas.