Éguas que falam (1)

Na abertura dos seus primorosos e eminentemente dispensáveis comentários à minha entrevista, o repórter Fred Mello Paiva descreve a vitória de Jair Bolsonaro como uma catástrofe sem precedentes e diz enxergar na minha pessoa “a chave para compreender onde fomos amarrar a nossa égua”.
A égua, entende-se, é o Brasil — a montaria que, amarada em local impróprio, se desgarrou dos seus donos e agora anda por aí com presunções obscenas de decidir o próprio destino sem consultar os sábios conselhos daqueles que criaram quatorze milhões de desempregados, setenta mil homicídios por ano, um rombo de trilhões nos cofres públicos e a redução do sistema nacional de educação à maior fábrica de analfabetos funcionais que já se viu no mundo.
Compreendo que tais criaturas vejam na nação brasileira nada mais que uma égua, um bicho para ser amarrado, chicoteado, domado, arreado, montado, reduzido à mais vil obediência e por fim morto e esfolado para servir de repasto aos sinhozinhos.
Mas haverá quem ache um absurdo acintoso chamar um país de égua e ainda confessar abertamente que a amarrou. Eu, por exemplo, em todo esse episódio só vi uma égua — o próprio Fred Mello Paiva –, mas estava desamarrada, puiando e relinchando como louca. Talvez estivesse também por ali o Mino Carta, mas não o vi.

Privacidade no ensino público?

A Ana Caroline Campagnolo foi um pouco inábil ao lançar o seu apelo, mas em substância ela tem razão. Esses malditos professores comunistas estão exigindo um absurdo e obsceno DIREITO AO SIGILO EM SALA DE AULA. Filmar, gravar, mostrar ao mundo o que eles dizem, ah, isso não, isso nunca! Que caralho esses pústulas estão escondendo? Devemos subsidiar com os nossos impostos sabe-se lá quais segredinhos entre homens adultos e sua platéia cativa infanto-juvenil?
Os que se voltam contra a Caroline, fazendo-se de vítimas e coitadinhos, só provam com isso sua MENTALIDADE CRIMINOSA. Entregar crianças e adolescentes à autoridade desses tipos é um risco maior do que deixar que se eduquem a si mesmas nas ruas.

Existe algo mais imoral, perverso e abjeto do que um adulto exigir o direito de ficar em segredo com uma criança numa sala, longe dos olhos dos pais? Para quê haveria uma pessoa normal de querer uma coisa dessas? A resposta que TODO O PAÍS deve dar a esses vagabundos é NÃO, NUNCA!

QUEM treinou as crianças brasileiras para tirar sempre os últimos lugares nos testes internacionais? Professores não são santos abnegados. Muito menos têm o direito de se esconder dos olhos do público que lhes paga o salário.

Gritar contra a “censura”, no caso dos professores, é de uma hipocrisia mais que criminosa: diabólica. Censurar, por definição, é esconder, é privar o público de ter acesso a informações. Quem está fazendo isso SÃO OS PROFESSORES QUE PROIBEM SEUS ALUNOS DE FILMAR OU GRAVAR AS AULAS. Eles são os censores. Eles e só eles.

Provincianismo mental

Pouquíssimos intelectuais, e com certeza políticos nenhuns, chegaram a ter nos olhos e no coração uma visão do Brasil inteiro, do povo inteiro, do povo real das ruas, das fábricas, dos campos, do passado e do presente — uma visão que viagens, estatísticas e pedantismos socio-economicistas jamais darão a ninguém, e que só pode ser obtida pela longa e intensa participação amorosa no imaginário nacional através, sobretudo, da sua literatura e da sua arte.
O que vigora em geral nas classes falantes é o provincianismo intelectual, o apego atávico às opiniões e desejos de um grupo, de uma região, de uma classe, às vezes até mesmo — porra! — de uma família.

A direita canalha

Nenhum esquerdista fez tanta canalhice contra mim como os direitistas — especialmente católicos e protestantes — que permaneceram quietinhos com o rabo entre as pernas durante os quarenta anos de dominação comunista e, quando viram o muro da hegemonia balançar, abalado por mim e exclusivamente por mim, farejaram aí uma oportunidade de subir na vida parasitando o Olavo e atribuindo a si mesmos, retroativamente, idéias e méritos dele.
Estou nesse front desde 1989 pelo menos, e tudo o que esses bostas fizerem na vida — supondo-se que o façam — nunca passará de adesão retroativa a uma causa vencedora.
Sem contar o fato de que macaqueiam apenas a minha produção jornalística e facebookiana, a parte mais superficial da minha obra, sem nem aproximar-se dos alicerces filosóficos e pedagógicos que a embasam (440 aulas do COF, doze cursos avulsos e vários livros) e sem os quais eu não passaria de um Arruinaldo Azevedo ou Marco Antonio Vil com senso de humor.

Clones do Olavo – II

Na sua pressa obscena de opinar sobre as questões do dia, chupins e macaqueadores em geral nem percebem que, se consegui exercer algum influxo benéfico sobre o curso das coisas públicas, foi com base no amplo trabalho que, desde várias décadas antes disso, desenvolvi no campo da filosofia, das ciências humanas, da literatura e da educação. Querem copiar o efeito sem nem conhecer a causa. Copiam a casca sem saber o que vem dentro. Seus esforços são uma árvore só de folhas, sem tronco nem raízes, que o primeiro vento desfaz.  

Clones do Olavo

Quando se escrever, um dia, a história incultural do Brasil das últimas décadas, um grosso capítulo terá de ser concedido ao anti-olavismo e, dentro dele, ao fenômeno singular dos Clones do Olavo. Com base na correta premissa nietzscheana de que só se derrota aquilo que se substitui, a confraria dos invejosos e despeitados vasculhou os últimos confins da merda em busca de algum imitão persuasivo que pudesse atrair para si uma parte do meu público e colocá-lo a serviço de agendas e ambições as mais diversas, com as mais variadas origens sociais e tonalidades ideológicas, unidas tão-somente pela ânsia do brilho fácil, alívio postiço de um justo e apropriado complexo de inferioridade.
A lista dos candidatos que se prestaram a esse papel infame é grande, mas jamais poderão ser esquecidos, nela, os nomes imortais de Rodrigo Cocô, Joel Dinheiro Bunda-Seca, Lourinel Brocha, Luciano Aymeuânus, Julio Soumzero, Caraio Rossi, Marco Antonio Vil, a Véia dos Gatos e os irmãos Vea…, ops!, Velascos.

Conselho urgente

Na minha modesta opinião, os amigos e apoiadores do presidente Bolsonaro NÃO DEVEM, por enquanto, oferecer reação nenhuma aos agitadores, incendiários e agentes provocadores comunopetistas. Deixem que estes se mostrem à nação com toda a feiura da sua mentalidade criminosa, com toda a sua sede de sangue despida da camuflagem das belas palavras. A reação deve partir DO GOVERNO FEDERAL APÓS A POSSE DO NOVO PRESIDENTE, cuja severidade na aplicação das leis e na manutenção da ordem terá então plena aprovação popular.

Imaturidade

Se você está tão persuadido da justiça da sua causa que não lhe ocorre nenhum argumento razoável e sensato que se possa alegar contra ela, isso prova que você não está preparado para defendê-la.